quinta-feira, janeiro 08, 2009

sem transbordar

Minha alma está trancada
Nada dela saí
Tudo nela entra
e se afoga nos outros
 e outros se ajeitam
Quando ela reabrir essa porta
quem sabe coisas novas
apareçam

Com tanto sofrimento e engolidos
secos fico no ar.




loucura perdida

domingo, novembro 16, 2008

Cansaço


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…

Álvaro de Campos


nota: foto Emilie Bjork

quinta-feira, novembro 13, 2008

sexta-feira, novembro 07, 2008

exploração de um espaço privado ansioso


rosa, vermelho e roxo
deitar uma história,
uma parte sedada.
reter a substância,
memória,
trauma.
qualquer dia que passou,
todos os dias.

monstro bizarro,
luz do ano,
fantasia,

desorientação.
infância e
cisões,
deslocamento e
vidros quebrados.

ansiedade e redução da pobreza.
solução eficaz.
temporário (?).




foto1: achada na net
foto2:Emilie Björk/flickr
foto3: My Guerrilha/flickr
loucura perdida

quarta-feira, outubro 01, 2008

vontade de afundar

"Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.

Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:

El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:

Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.

Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos."


Poema de Ramón Sampedro
recitado por Javier Barden
no filme Mar Adentro

 Javier Bardem - Mar Adentro