sábado, julho 26, 2008

Quem cujo dedo busca o gatilho
E agradece a falta da arma

Quem cujo medo assobia na noite
E rabisca nas revistas

Quem se trai nos gestos e quebra cartões e canetas
Quem morde o de dentro das bochechas
Quem morre de câncer
Quem morre do coração

Quem não dorme na tv de madrugada
Quem finge calma e bebe água
Quem range os dentes
Quem parte o espelho
Quem compra roupas
Quem lava o chão

Ninguém encara, de fato e por inteiro,
A solidão

Maria Rezende

Um comentário:

G disse...

Uma casa tão interessante... Deveria ser mais divulgada.
Adorei o poema. Virou "de cabeceira".

Beijo!